As melhores cachaças do Brasil são eleitas

As melhores cachaças do Brasil são eleitas pelo 3º Ranking da Cúpula

O resultado do 3º Ranking da Cúpula da Cachaça você confere aqui em primeira mão: são 50 rótulos divididos em duas categorias, branca e ouro

“A cachaça mudou de lugar, saiu de baixo do balcão do bar e foi parar na prateleira, cheia de orgulho.” A frase dita pelo célebre bartender Derivan de Souza durante o 3º Ranking da Cúpula da Cachaça ilustra o momento que o destilado nacional vive. Depois de dois dias degustando às cegas as 50 marcas que chegaram à final da prova, o sentimento dos 12 jurados era o mesmo: a cachaça evoluiu, e muito. 

O resultado da prova realizada no último fim de semana – o ranking com as 50 melhores cachaças do Brasil .

Neste ano, uma novidade, as cachaças foram divididas de acordo com o tipo de madeira em que estagiam, seu visual e a declaração no rótulo, em duas categorias, branca e ouro. A mudança é reflexo exato deste momento, o nível das cachaças – inclusive das branquinhas – subiu, e os produtos evoluíram. “Não dá mais para colocar tudo no mesmo saco”, afirma Dirley Fernandes, jurado e membro da Cúpula. “Está claro que os produtores estão cuidando melhor de suas cachaças, especialmente das brancas, que já competem entre si de forma justa” afirma Maurício Maia, presidente da Cúpula e blogueiro do Paladar.

A variedade é outro ponto alto: mais blends, mais madeiras nacionais, mais marcas. Pela primeira vez, uma cachaça do Norte entrou na lista, a Indiazinha, lançada no ano passado, de Abaetetuba, no Pará. O carvalho ainda impera, mas nesta mostra aparecem rótulos com jaqueira, jatobá e jequitibá. A aposta é que o eucalipto entre nessa lista.

Como foi a eleição? 

A etapa de Analândia foi a última do processo que começou em setembro do ano passado e movimentou mais de 40 mil pessoas na internet na primeira fase. Foi o dobro da última edição, que teve 23 mil votantes em 2016. Essa primeira etapa é aberta ao público para votar em três dos 1,1 mil rótulos participantes, ou seja, todas as cachaças que têm registro no Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Ao final da primeira fase, 250 rótulos foram selecionados. Em seguida, eles passaram por um painel com 48 especialistas de cachaça de todo o País.

Eles elegem os 50 rótulos que formam o Ranking da Cúpula da Cachaça, realizado a cada dois anos. O trabalho dos 12 jurados que se reuniram na Cachaçaria Macaúva, em Analândia, foi analisar, em uma degustação às cegas, aspectos visuais, olfativos e sensoriais de cada uma das finalistas, estabelecer pontuações e, assim, definir as posições do ranking. 

A Cúpula da Cachaça se reúne todos os anos, mas o Ranking é feito bianualmente. Desde a primeira edição o Paladar publica o resultado em primeira mão. Em 2016, a grande vencedora foi a Porto Morretes Premium. Confira abaixo a lista de 2018! 


As 50 melhores cachaças do Brasil:

1. Vale Verde 12 anos

Bicampeã, essa cachaça tem personalidade e sabores complexos. Seu uso da madeira remete ao bourbon. Tem excelente final de boca.

  • Onde: Betim (MG)
  • Nota: 88,4
  • Madeira: 12 anos no carvalho
  • Preço: R$ 797,50 (700 ml)

2. Magnífica Reserva Soleira

Chamam atenção as notas de especiarias e baunilha, típicas do carvalho, além de um leve frutado. A acidez é equilibrada. Para ter na prateleira. 

  • Onde: Vassouras (RJ) 
  • Nota: 87,9 
  • Madeira: 3 anos no carvalho (de 3 a mais de 10)
  • Preço: R$ 362,50 (700 ml)

3. Companheira Extra Premium 

Lembra muito uísque americano, indicada para os fãs da bebida. 

  • Onde: Jandaia do Sul – (PR)
  • Nota: 87,3
  • Madeira: 8 anos carvalho 
  • Preço: R$ 319 (700 ml)

4. Sebastiana Carvalho 

Redonda, tem textura aveludada e sabor apurado. Para beber devagar– evolui no copo.

  • Onde: Américo Brasiliense (SP)
  • Nota: 85,6 
  • Madeira: carvalho americano, pelo menos 3 anos
  • Preço: R$ 101,50 (500 ml)

5. Weber Haus Extra Premium Lt. 48     

Consistente, tem álcool suave, aroma tostado com especiarias e uma nota vegetal interessante. Final longo.

  • Onde:  Ivoti (RS)
  • Nota: 85,5
  • Madeira: 5 anos no carvalho francês + 1 ano no bálsamo 
  • Preço: R$ 210 (700 ml) 


6. Weber Haus Amburana

  • Onde: Ivoti (RS)
  • Nota: 85,2
  • Madeira: 1 ano na amburana
  • Preço: R$ 76, 85 (700 ml)

7. Casa Bucco Envelhecida 

  • Onde: Bento Gonçalves (RS)
  • Nota: 84,5 
  • Madeira: 6 anos em carvalho e bálsamo
  • Preço: R$ 166, 75 (750 ml)

8. Leandro Batista 

  • Onde: Ivoti (RS)
  • Nota: 84,2
  • Madeira: amburana, bálsamo, canela sassafrás – um ano cada
  • Preço: R$ 87 (750 ml)

9. Middas Reserva 

  • Onde: Adamantina (SP)
  • Nota: 84,1 
  • Madeira: carvalho francês, carvalho americano e amburana – no mínimo dois anos
  • Preço: R$ 340, 75 (700 ml)

10. Canarinha

  • Onde. Salinas (MG)    
  • Nota: 83,9 
  • Madeira: 2 anos no bálsamo
  • Preço: 169,65 (600 ml)


11. Werneck Safira Régia 

  • Onde: Rio das Flores    (RJ)
  • Madeira: de 4 a 5 anos no carvalho 
  • Nota: 83,5 
  • Preço: R$ 652,50 (700 ml)

12. Weber Haus Premium 7 Madeiras     

  • Onde: Ivoti (RS)    
  • Nota: 83,3
  • Madeira: 2 anos em barris de carvalho francês, carvalho americano, bálsamo, cabriúva, amburana, grápia, canela sassafrás.
  • Preço: R$ 87 (750 ml)

13. Engenho São Luiz Extra Premium 

  • Onde: Lençóis Paulista (SP)    
  • Nota: 82,6 
  • Madeira: 36 meses no carvalho 
  • Preço: R$ 116 (600 ml)

14. Authoral Gold 

  • Onde: Brasília    (DF)
  • Nota: 82,1
  • Madeira: carvalhos francês e americano, bálsamo e cerejeira (soleira)
  • Preço: R$ 389, 75 (700 ml)

15. Cedro do Líbano Premium 

  • Onde: São Gonçalo Amarante (CE)
  • Nota: 81,3
  • Madeira: 1 ano no carvalho americano
  • Preço: R$ 87 (500 ml)


16. Werneck Ouro 

  • Onde:  Rio das Flores     (RJ)
  • Nota: 81
  • Madeira: 2 anos no carvalho
  • Preço: R$ 123,25 (750 ml)

17. Anísio Santiago/Havana 

  • Onde: Salinas (MG)
  • Nota: 80,9
  • Madeira: 8 anos no bálsamo
  • Preço: R$ 551 (600 ml)

18. Tabúa Flor de Ouro Exportação

  • Onde: Taiobeiras (MG)
  • Nota: 79,4
  • Madeira: 5 anos no bálsamo
  • Preço: R$ 69,60 (700 ml)

19. Indiazinha Flecha de Ouro 

  • Onde. Abaetetuba (PA) 
  • Nota: 79,3
  • Madeira: amburana e castanheira 
  • Preço: R$ 98,25 (500 ml)

20. Princesa Isabel Sete Cores 

  • Onde: Linhares (ES)    
  • Nota: 78,2 
  • Madeira: Jaqueira
  • Preço: R$ 65,25 (500 ml)


21. Claudionor     

  • Onde: Januária (MG)    
  • Nota: 77,9
  • Madeira: 1 ano na amburana
  • Preço: R$ 56,55 (600 ml) 

22. Da Tulha Ouro 

  • Onde: Mococa     (SP)    
  • Nota: 76,8 
  • Madeira: 3 anos no carvalho
  • Preço: R$ 84,10 (750 ml) 

23. Da Quinta Amburana 

  • Onde: Carmo (RJ)    
  • Nota: 76,2
  • Madeira: 1 ano na amburana
  • Preço: R$ 72,50 (500 ml)

24. Santo Grau Solera PX 

  • Onde: Itirapuã    (SP)
  • Nota: 76,1 
  • Madeira: carvalho utilizado para amadurecer o mais antigo vinho de Jerez
  • Preço: R$ 152,25 (750 ml)

25. Sanhaçu Umburana     

  • Onde: Chã Grande (PE)    
  • Nota: 76,0 
  • Madeira: 2 anos na amburana
  • Preço: R$ 130,50 (600 ml)


26. Pardin 3 Madeiras     

  • Onde: Camanducaia(MG)    
  • Nota: 75,2* (*Desempate feito pelo critério de notas do quesito gustativo)
  • Madeira: carvalho, amburana e jequitibá 
  • Preço: R$ 210 (700 ml)

27. Porto Morretes Premium 

  • Onde: Morretes (PR)    
  • Madeira: 3 anos no carvalho
  • Nota: 75,2* (*Desempate feito pelo critério de notas do quesito gustativo
  • Preço: R$ 142,10 (700 ml)

28. Leblon     

  • Onde: Patos de Minas (MG)
  • Nota: 74,6 
  • Madeira: carvalho
  • Preço: R$ 108,75 (750 ml)

29. Havaninha 

  • Onde: Salinas    (MG)    
  • Nota: 73,7 
  • Madeira: 6 anos no bálsamo
  • Preço: R$ 210,25 (600 ml)

30. Colombina 10 anos 

  • Onde: Alvinópolis (MG) 
  • Nota: 72,8 
  • Madeira: 10 anos no jatobá
  • Preço: R$ 333,50 (700 ml)


31. Magnífica Envelhecida 

  • Onde: Vassouras (RJ)    
  • Nota: 72,3 
  • Mareira: 2 anos no carvalho
  • Preço: R$ 101,50 (750 ml)

32. Matriarca Ouro Jaqueira 

  • Onde: Caravelas (BA)     
  • Nota: 69,7 
  • Madeira: 2 anos na jaqueira
  • Preço: R$ 62,25 (680 ml)

33. Santo Grau Solera Cinco Botas     

  • Onde: Itirapuã (SP)    
  • Nota: 69,1 
  • Madeira: carvalho utilizado para amadurecer vinho de Jerez 
  • Preço: R$ 153,40 (750 ml)

34. Santo Grau Itirapuã          

  • Onde: Itirapuã (SP)
  • Nota: 68,8 
  • Madeira: carvalho e jequitibá
  • Preço: R$ 94,25 (750 ml)

35. Sebastiana Castanheira     

  • Onde: Américo Brasiliense (SP)    
  • Nota: 67,6
  • Madeira: 1 ano na castanheira 
  • Preço: R$ 101,50 (500 ml)

36. Saliníssima    

  • Onde: Salinas (MG)    
  • Nota: 64
  • Madeira: 2 anos no bálsamo 
  • Preço: R$ 37,70 (600 ml)


As 50 melhores cachaças do Brasil:

1. Princesa Isabel Aquarela  

Excelente exemplo de branca complexa, com aroma herbáceo e frutado. 

  • Onde: Linhares (ES)    
  • Nota: 82,7 
  • Madeira: 3 anos Jequitibá 
  • Preço: R$ 64,25 (750 ml)

2. Sanhaçu Freijó    

Com ótima viscosidade, esta cachaça traz a madeira bem trabalhada, que aparece de forma suave. Agrada iniciados e iniciantes. 

  • Onde: Chã Grande (PE)
  • Nota: 76
  • Madeira: 2 anos no freijó 
  • Preço: R$ R$ 94,25 (600 ml)

3. Tiê Prata      

Tem sabor marcante e é muito equilibrada. Vai bem pura ou em drinques. 

  • Onde: Aiuruoca (MG)    
  • Nota: 74
  • Preço: R$ 50,75 (670 ml)

4. Século XVIII Rótulo Azul     

Uma cachaça forte, com boa expressão de fruta da cana-de-açúcar. É garantia de uma experiência agradável.

  • Onde: Cel. Xavier Chaves (MG)
  • Nota: 72,9
  • Madeira: Inox
  • Preço: R$ 89,90 (670 ml)

5. Volúpia Freijó 

Com álcool suave, tem perfume agradável de madeira e sabor herbáceo marcante. Perfeita para iniciantes do estilo.

  • Onde: Alagoa Grande    (PB)    
  • Nota: 72,23
  • Madeira: 1 ano no Freijó 
  • Preço: R$ 50,75 (670 ml)


6. Engenho São Luiz Amendoim     

  • Onde: Lençóis Paulista (SP)    
  • Nota: 72,17 
  • Madeira: seis meses no amendoim 
  • Preço: R$ 58 (600 ml)

7. Reserva do Nosco Prata  

  • Onde: Resende (RJ)
  • Nota: 70,8
  • Madeira:
  • Preço: R$  71,05 (700 ml)

8. Serra Limpa     

  • Onde: Duas Estradas    (PB)    
  • Nota: 70,5
  • Madeira: 6 meses em freijó
  • Preço: R$ 36,25 (355 ml)

9. Coqueiro Prata   

  • Onde: Paraty (RJ)    
  • Nota: 68,2 
  • Madeira: 2 anos amendoim 
  • Preço: R$81,20 (700 ml)

10. Da Quinta Branca      

  • Onde: Carmo (RJ)
  • Nota: 67,9 
  • Madeira: Inox
  • Preço: R$ 69,60 (500 ml)


11. Caracuípe Prata 

  • Onde: Campo Alegre    (AL)
  • Nota: 67,7
  • Madeira: 6 meses no jequitibá
  • Preço: R$ 108,75 (750 ml)

12. Nobre  

  • Onde: Sobrado (PB)    
  • Nota: 66,5
  • Madeira: inox
  • Preço: R$ 79,75 (500 ml)

13. Engenho Pequeno    

  • Onde: Pirassununga (SP)    
  • Nota: 65,7 
  • Madeira: 2 anos no jequitibá rosa 
  • Preço: R$ 74,40 (750 ml)

14. Sebastiana Cristal    

  • Onde: Américo Brasiliense (SP)
  • Nota: 61,7
  • Madeira: 3 meses inox
  • Preço: R$ 55,10 (500 ml)      

Palavra de quem entende: Cúpula da Cachaça

 


Conheça os jurados

Nesta edição, o Ranking ganhou um novo jurado, Derivan de Souza, renomado bartender e um dos responsáveis pela internacionalização da caipirinha. Além deles, também participaram: Cesar Adames (especialista em destilados e tabaco, é consultor e professor), Dirley Fernandes (dirigiu o documentário Devotos da Cachaça(2010) e é autor do blog de mesmo nome), Erwin Weimann (químico, é responsável pela criação de várias cachaças e autor do livro Cachaça – A Bebida Brasileira), Glauco Mello Jr. (engenheiro químico especialista em fermentação alcoólica e na cadeia produtiva da cana), Leandro Batista (sommelier de cachaça, passou nove anos no restaurante Mocotó), Leandro Marelli (pós-doutor em tecnologia e no controle de qualidade de bebidas), Manoel Agostinho Lima Novo (consultor e autor do livro Viagem ao Mundo da Cachaça), Maurício Maia (jurado em concursos de destilados e autor do site O Cachacier), Milton Lima (dono da Cachaçaria Macaúva, em Analândia, e autor do site Cachaças.com), Nelson Duarte (mestre-alambiqueiro e autor do livro Cachaça de Alambique) e Sidnei Maschio (degustador e colecionador de cachaças).

Vale dizer que, nos produtos onde havia conflito de interesse da parte do jurado por este ter participação na elaboração da cachaça, as suas notas nos respectivos rótulos foram desconsideradas pelo estatístico.

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